segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Tormentas do Destino
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
O País do Não dá Nada
O outro coloca a direção nas mãos da namorada, ao voltar de uma balada no amanhecer do dia de ano novo. A mesma não tinha habilitação, se havia bebido ninguém sabe. Ela atravessa a pista e mata duas pessoas que dirigiam na direção contrária. O argumento da defesa: O fato dela não possuir habilitação é irrelevante nesse caso. Não dá nada!
Depois das enchentes de 2007 e 2009, é solicitado ao ministério dos transportes que reforce a via que faz a ligação da cidade de Goytacazes com o resto do estado do Rio de Janeiro. A estrada, que fica a margem de um rio, serve de dique em períodos de enchente o que é um absurdo do ponto de vista de engenharia. Resultado: Nada é feito e dois anos depois temos uma enchente mais devastadora, que inunda a cidade e tira vidas. Fico pensando no que passa da cabeça de quem avaliou o pedido da construção do dique: Enchente? Chuva? Deixa a estrada assim que não dá nada!
Jader Barbalho, aquele, o Jader Barbalho que renunciou a mandato em função de um processo por supostas irregularidades no desvio de recursos em 2001, é empossado senador em O STF legislou a seu favor na questão da lei da ficha limpa. “Retorno ao senado na condição de um melhor aprendiz”, comentou o ilustríssimo senador no momento da posse. Resumo da história, você já sabe: Não dá Nada!
[]s
Jack DelaVega
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Primeiro Dia
Ele passou as primeiras ondas, a arrebentação e nadou até não ter mais pé. Com o peito apertado encheu os pulmões e mergulhou o mais fundo que pôde. Submerso, abriu os olhos e aproveitou o silêncio que só o mar proporciona. Perdeu a noção do tempo ali. Dois minutos? Cinco? Queria ficar mais, não conseguiu. Já como peito ardendo subiu à tona. Tirou a cabeça d’agua e sorveu o ar com força. Sentiu-se vivo novamente, e abençoado por isso. À sua frente contemplou o vazio do oceano, virando em direção a terra viu os prédios, barracas de praia e os carros passando.sábado, 10 de dezembro de 2011
Lição de perspectiva: Um passeio sobre novos ares
- Claro Roberto, por favor, fique à vontade.
- Sabe Ana, já que estamos aqui, queria aproveitar para lhe fazer uma pergunta sobre algo que venho percebendo nesses últimos dias. Como de repente você conseguiu adquirir essa serenidade, mesmo sabendo que o furacão aqui na empresa ainda não passou?
- Então meu amigo, acontece que eu aprendi a andar de helicóptero.
- Como?
- Calma. Fiz a mesma pergunta à pessoa que me ensinou, mas agora está tudo claro, deixa que lhe conto a história toda. Estava decidida a pedir demissão, precisava apenas bater um papo com meu mentor antes de fazer o comunicado oficial. Entrei na sala dele, meio inquieta, meio desiludida, dei-lhe um daqueles abraços apertados, como quem se vê aliviada diante da esperança materializada à sua frente, sentei, e com uma respiração bem profunda, forcei meu silêncio.
- Vejo que está evoluindo, Ana. Lembrou da importância da respiração que tanto conversamos semana passada.
- Não esqueço seu olhar de orgulho contrastando com um misterioso sorriso de Monalisa. Fiz sinal de afirmação com a cabeça, juntamente com um “esticar de lábios” pouco convincente, na tentativa de retribuir a expressão acolhedora.
- Lembra-se também que falamos sobre comportamento assertivo e toda aquela história de se expressar de maneira afirmativa para deixar as coisas bem resolvidas?
- Lembro sim.
- Pois então me diga exatamente o que você está sentindo neste momento e o que lhe traz até aqui.
- Às vezes fica muito difícil manter aquela esperança que faz a gente acreditar no sol depois da tempestade, e a paciência, para esperar este momento chegar. Sem perceber, você começa a dar sinais de desistência, na despreocupação com a aparência, na falta de interações sociais, até que isso também se reflita no seu rendimento profissional com a diminuição de resultados. Só que o mundo não congela e te dá um tempo para encontrar sua nova fonte de motivação, então seu corpo e sua mente passam a fazer um esforço descomunal para seguir tocando o barco, ainda com o risco de morrer no mar. Sinto que estou afundando.
- Ele então olhou para sua direita, mirando o céu azul sem nuvens que podia ser visto perfeitamente através de uma grande janela de vidro. Estacionou seus pensamentos ali por alguns segundos e voltou à atenção para mim.
- Primeiro, esqueça essa história de barco. Mude seu veículo de transporte. Aprenda a passear de helicóptero!
- Como? Disse indignada. – Utilizei uma metáfora para expressar meus profundos sentimentos e você responde com um conselho literal?
- É mental, não literal. Te dá perspectiva. O dia está ruim? Pensa na semana. A semana está ruim? Pensa no ano. O ano está ruim? Pensa na vida!
- Foi o melhor conselho que já recebi até hoje...
- Entendi. Mas então, só por curiosidade, você já passeou de helicóptero de verdade? Não teve vontade de viver essa experiência real?
- Vontade eu tive sim, e muita, mas não fui. Fico com receio de não querer mais descer, sabe.
(uma homenagem ao amigo Marcos)
Beatriz Carvalho




